A Educação On-line Atinge as Massas?

A Educação On-line Atinge as Massas?

O Brasil tem o menor número de cidadãos que completa o ensino superior dentre 35 países pesquisados pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em 2010. Segundo dados mais recentes do IBGE, 13,2 milhões de pessoas (8,7% da população) não sabem ler nem escrever, e quase metade da população brasileira (49,25%) com 25 anos ou mais não tem nem o ensino fundamental completo. É absolutamente necessário um programa de educação em massa, com apoio dos diversos setores da sociedade. Há um consenso de que o desenvolvimento de um país está condicionado à qualidade da sua educação, diante disto a escola deixará de ser “lecionadora” para ser “gestora do conhecimento”. Espera-se que a educação do futuro imediato, seja cada vez mais democrática e menos excludente

Enquanto isso o gasto global em educação hoje em dia é de cerca de US $ 4.450 bilhões e deverá crescer em 7% ao ano. Na paralela, o mercado online/e-learning deverá aumentar em 23%. Esta realidade levou o mercado mundial de e-learning de US $ 90 bilhões para US $ 166,5 bilhões em 2015, e US $ 255 bilhões neste ano (2017).

O ensino a distância surgiu em decorrência da necessidade social de proporcionar educação aos segmentos da população não adequadamente servidos pelo sistema tradicional de ensino. Tendo em vista que a EAD é uma forma de democratização do ensino superior, com o o Brasil possuindo dimensões continentais, pode-se  por meio das novas tecnologias alcançar mais pessoas que buscam uma qualificação em nível de graduação, pós graduação e agora mestrado e doutorado a distância e praticamente sem sair de casa. No entanto, todos nós não devemos fechar os olhos para as instituições de ensino que não tem compromisso na formação de profissionais.

No Brasil, aqueles que não possuem uma renda considerável, são obrigados a estudar em instituições de ensino que muitas vezes possuem uma qualidade duvidosa. Também, nota-se que os cursos considerados melhores pelos brasileiros como: medicina, engenharia, entre outros, são cursos que nas instituições públicas (Universidades Estaduais e Federais)  agregam na maioria das vezes alunos oriundos de escolas particulares e que têm condições econômicas de fazer um cursinho preparatório para o vestibular. Nas instituições de ensino superior particulares, estes cursos são caríssimos, cabendo a uma grande maioria das classes menos favorecidas, ou seja, alunos oriundos de Escolas Públicas e que não tem condições de fazer um cursinho vestibular preparatório, optarem por cursos de graduação que se adaptem melhor `as suas condições econômicas.

Aproveitando esta grande fatia do mercado, há uma grande parcela de Instituições do Ensino Superior que ofertam a EAD no mercado educacional brasileiro, e buscam justamente aqueles que não tiveram oportunidade de estudar em instituições de ensino que os preparassem melhor para os vestibulares das melhores universidades do país,  e que acabam sendo vistos como verdadeiras preciosidades,  uma vez que muitos trabalham o dia todo para se manter ou para ajudar no sustento de casa e que não possuem condições ideais para cursar uma universidade presencial devido à falta de tempo, sendo esta uma das grandes vantagens da EAD. Mas é importante ressaltarmos que o problema não se concentra se a oferta e a adesão é presencial ou virtual, mas sim, no processo de ensino-aprendizagem que a instituição trabalha com os seu alunado.

Na Índia por exemplo, que ocupa o segundo lugar como país mais populoso do mundo, espera-se que o mercado de educação on-line tenha crescido em torno de US $ 40 bilhões neste ano (2017). Com quase metade da população da Índia com menos de 25 anos, e com uma rede de mais de 1 milhão de escolas e 18 mil instituições de ensino superior, a Índia é um mercado de sonho para qualquer empresa de educação on-line. Na verdade, o mercado de educação on-line da Ásia está crescendo mais rápido do que em qualquer outra região do mundo, como a Malásia e o Vietnã e assim expandindo-se mais rapidamente.

Em 1440, a prensa de Gutenberg foi inventada e os livros ficaram acessíveis a todos, facilitando a educação em massa, por que hoje a EAD não pode cumprir este mesmo papel? Existem várias razões para a popularidade da educação on-line no Brasil e no mundo, e atingir  a massa, o maior numero de indivíduos possíveis, faz que alguns ítens sejam relevantes:

Pontos Positivos:

 

  • A explosão da internet – Quase 40% da população mundial tem acesso à Internet. Com esta expansão do acesso à Internet, mais e mais pessoas estão conectadas aos cursos on-line como aos MOOCs, pois torna-se conveniente e econômico.
  • Tecnologias avançadas – Inovações como a nuvem, redes sociais e análises web fornecem a infra-estrutura necessária para que os MOOCs sejam bem-sucedidos. Na verdade os MOOCs  ainda têm um longo caminho a percorrer antes de fazerem a diferença em países do terceiro mundo, ou seja, os MOOCs se converteram em campeões da democratização do conhecimento, principalmente na América Latina, onde, em face das características de desigualdade, o impacto desse tipo de formação sobre a população é ainda maior do que em outras regiões
  • Os benefícios para as corporações – Com treinamentos oferecidos pela internet, as companhias percebem que podem trabalhar este contexto com qualidade e que o custo de executar um curso/treinamento pelo online é drasticamente menor que o treinamento tradicional fornecido em bases físicas.
  • Eco-friendly – Estudos recentes realizados pela Universidade Aberta da Grã-Bretanha descobriram que o e-learning consome 90% menos energia que os cursos tradicionais. O volume de emissões de CO2 por aluno é reduzido em até 85%.
  • Mix LearningA educação on-line pode ser combinada com a educação tradicional para alcançar todos os alunos.

 

Pontos Negativos:

 

  • Produtividade Docente – Surge aqui uma grande questão: Será que teremos uma falta massiva de professorado adaptado às novas formas de ensino em rede?
  • Acesso a escolas / internet – A maioria das crianças que vive em economias em desenvolvimento como a nossa no Brasil, mas especialmente em regiões remotas, não têm acesso às escolas, pois não há transporte. O acesso à Internet também é um problema nessas áreas.
  • Falta de formadores e professores – O número de formadores e professores qualificados é extremamente baixo nas zonas rurais, porque muitas pessoas deixam suas localidades e migram para as cidades.
  • Falta de infra-estrutura – Com a falta de serviços básicos como eletricidade e escolas, os cursos on-line são um sonho distante para a maioria das pessoas em lugares como estes.

Desta maneira, o que as economias em desenvolvimento podem fazer para garantir a utilização da tecnologia para melhorar a educação?

O primeiro passo seria melhorar nessas economias, a infra-estrutura e as instalações para os professores atuarem, como se argumenta no Relatório Global de Tecnologia da Informação 2015 do Fórum Econômico Mundial. A tecnologia deveria ser utilizada para aumentar os níveis de conscientização/profissionalização dos professores para com isso poder elevar o número de crianças que possam receber uma boa educação, principalmente através dos cursos on-line.

O segundo passo seria combinar a educação tradicional em sala de aula com metodologias on-line para melhorar os resultados de aprendizagem. As crianças que não têm acesso à Internet e a educação on-line precisam ser atendidas neste sentido para que possam acompanhar crianças que são mais privilegiadas economicamente.

Desta maneira fechamos este artigo com a seguinte pergunta: A Educação On-line Atinge as Massas?

Depois desta leitura, deixo para você responder! Arrisca? 😆

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