A Educação Online é Boa ou Ruim?

A Educação Online é Boa ou Ruim?

Nos últimos vinte anos tenho ouvido esta pergunta que intitula o post, e sempre de maneira recorrente há este tipo de questionamento sobre a educação online, mesmo quando todas ou quase todas as universidades do mundo a praticam e a oferecem aos seus aprendizes. Quem me lê e quem conhece o trabalho acadêmico que desenvolví no ensino superior nesta área por quase duas décadas, sabe que eu sou uma grande entusiasta da EAD [Educação a Distância] quando aplicada eficientemente, e vejo este tipo de questionamento como uma espécie de “pergunta provocativa”, mas confesso que sempre acho que vale a pena todos refletirem este tema e de maneira honesta.

 

Que tal considerarmos esta mesma pergunta no contexto da sala de aula presencial, para assim podermos analisar o entorno da Educação como um todo? O presencial é uma metodologia de aprendizagem que muitas vezes se apoia nas didáticas mais tradicionais e que ainda são direcionadas ao desenvolvimento da aprendizagem do aluno em muitas escolas brasileiras. Todos nós certamente já tivemos grandes aulas em ambientes tradicionais, assim como fomos também expostos a abordagens totalmente empobrecidas e muito chatas no mesmo contexto presencial. Uma coisa é certa, todos nós podemos ter bons (e não tão bons) cursos tradicionais em sala de aula presencial, como também podemos ter bons (e não tão bons) cursos online nas mais modernas plataformas tecnológicas.

 

Eu acredito que uma das melhores perguntas que podemos fazer nos dias atuais é a seguinte: “Como a educação online pode ser eficaz?” . Estudos mundiais e anuais documentam que milhões de estudantes se inscrevem diariamente em cursos online em todas as partes do planeta, dos pagos aos gratuitos. Esta realidade é muito significativa. As pessoas estão recebendo uma Educação através de métodos inovadores ofertados pelas tecnologias! Pense, se em uma sala de aula tradicional onde uma determinada discussão na maioria das vezes é dominada por um subconjunto de alunos, enquanto o resto da classe presencial fica passiva apenas observando; em uma sala de aula virtual as coisas funcionam bem diferente, pois cada estudante online tem voz ativa e obrigatoriamente deve usá-la para ser ouvido por todos.

 

Além disso, a expansão do tempo de uma discussão pelo online muitas vezes permite que os alunos reflitam e explorem muitas informações adicionais, porque podem ponderar cuidadosamente as opiniões dos colegas de classe e, em seguida, usar o tempo disponível para construir a própria contribuição, o que pode remeter a inúmeras respostas e novos posicionamentos com maior qualidade intelectual. O online libera todos e principalmente os tímidos, os mais envergonhados e os muito inseguros…

 

Outra vantagem interessante é a facilitação que promove na revisão das tarefas e nas discussões realizadas pelos pares. Esta é uma estratégia instrucional benéfica para que os alunos compartilhem suas visões e conhecimentos individuais com seus colegas de classe virtual em relação a artigos lidos ou projetos construídos. Este tipo de feedback beneficia o aluno-autor e o aluno-revisor. Gerenciar a revisão realizada pelos pares é significativamente mais fácil em sala de aula online (um fórum de discussão permite intercâmbios) em comparação com a sala de aula física que sempre impõe determinadas restrições, onde os alunos precisam até mesmo levar cópias do trabalho para distribuir aos colegas para em seguida trocar o feedback.

 

Veja bem, quando aponto estas facilitações de aprendizagem que o online promove, isso não quer dizer que eu estou fazendo indiretamente uma crítica pessoal à sala de aula tradicional. Eu apreciei ensinar também em espaços físicos por quase 20 anos e com isto adquirí uma experiência recompensadora e muito valiosa. Eu continuarei a fazê-lo toda vez que for necessário, mas acredito também que precisamos ter cuidado para não romantizar a sala de aula tradicional como muitos professores ainda o fazem tendenciosamente em pleno século 21.

 

 

Nem todas as experiências de aprendizagem tradicionais são iguais, ok? Há uma diferença significativa entre uma palestra para um grande auditório com centenas de alunos e uma pequena sala destinada a um seminário com apenas 15 alunos. É inegável que a sala de aula física tem uma vantagem que é a “espontaneidade” da discussão que pode acontecer e essas ocasiões podem ser maravilhosas oportunidades de aprendizagem. Muitas vezes a falta de espontaneidade tem sido uma restrição nas classes online devido às limitações da banda larga que é necessária para acontecer uma conferência web (síncrona) ao vivo. No entanto, alguns dos desafios tecnológicos já foram atenuados mais recentemente e professores online podem complementar os cursos online com ricas discussões em ambientes virtuais onde todos podem ver e ouvir uns aos outros, independentemente da localização física obviamente.

 

Minha esperança é que continuemos a evoluir em direção a diferentes e instigantes modelos de aprendizagem dentro do contexto virtual.  Para mim a abordagem da aprendizagem  “misturada” ou o chamado ” ensino híbrido”,  que é oferecida em determinados modelos de cursos online, esforça-se para capturar o melhor do melhor das experiências tradicionais da sala de aula.

 

Em última análise, creio que iremos progredir e desenvolver a instrução até o ponto em que essas distinções historicamente baseadas em termos categóricos,  ficarão no passado e se tornarão menos significativas, e simplesmente nos concentraremos no aprendizado real. Uma coisa é fato, quando os alunos têm motivos intrínsecos para aprender porque acham a atividade em si interessante e gratificante, tornam-se mais propensos a dar significado ao trabalho, exploram novos tópicos e persistem nos desafios complexos de aprendizagem. Às vezes é difícil para os alunos aprender cognitivamente sem ver as conexões das partes do tema estudado. Quando possível, pode-se incluir aprendizagem experiencial, pois assim “as partes” serão mais facilmente conectadas e portanto compreendidas dentro do contexto do “todo”. Muito difícil ensinar um aluno a nadar sem ele estar na água!!

 

Quando os alunos têm um senso de autonomia ou de controle sobre a própria aprendizagem, naturalmente a motivação intrínseca melhora muito, e faz com que eles persistam mais tempo em tarefas acadêmicas tidas como tediosas e assim aprendem a processar informações em um nível mais profundo. Para apoiar a autonomia dos alunos, os professores podem incentivá-los a definir os seus próprios objetivos de aprendizagem, contribuindo com excelente conteúdo destinado ao curso e usando técnicas de aprendizagem que funcionam melhor para cada um deles.

 

Pesquisas mostram que o isolamento social e a solidão estão ligados ao alto nível de ansiedade do aluno e ao seu menor desempenho intelectual, o que gera a diminuição do autocontrole e o desenvolvimento de uma  pior saúde física e mental. No entanto, estudos também mostram que quando os alunos sentem um sentimento de pertencimento social na escola (online e presencial), acabam desenvolvendo relacionamentos mais significativos com colegas, uma maior autoestima, um melhor desempenho acadêmico e consequentemente uma melhoria da sensação de bem-estar e de prazer nos estudos.

 

Os alunos não precisam necessariamente de recompensas para permanecerem motivados nas aulas online, mas sim de um ambiente virtual de aprendizagem que apóie as suas necessidades emocionais e cognitivas,  pois serão confrontados o tempo todo com desafios complexos ao longo do processo de construção do conhecimento.

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