Como Criar Cultura de Inovação na Educação Online?

Como Criar Cultura de Inovação na Educação Online?

Considere que no ensino superior particular do Brasil, as universidades pensam demasiadamente sobre o número de matrículas de seus estudantes e assim assistimos nos últimos anos o crescente número de escolas que iniciaram os seus Programas de graduação e pós-graduação on-line tendo como objetivo o aumento da rentabilidade. Vimos uma grande competição de umas contra as outras e tendo essencialmente como foco determinados nichos de alunos. Vimos também,  inúmeras Escolas definindo padrões em relação  ao recrutamento online, principalmente através de determinadas estratégias de publicidade digital. Eu particularmente vi anúncios de Escolas oferecendo tablets a cada aluno que se inscrevesse nos seus cursos on-line. George Siemens escreveu em um post de setembro de 2015, que paira no ar o perigo da tecnologia educacional nos moldar mais do que nós moldarmos a tecnologia educacional.

 

Ainda existem muitas universidades no Brasil que não fomentam uma Educação personalizada e individualizada através das aulas on-line,  talvez porque isto não gere rentabilidade e só agregue mais custos, pois daí teria que se reconhecer cada aluno como único e não apenas um outro widget. Diante desta realidade existe uma outra questão em paralelo no mundo educacional que é crucial pensarmos: Como passaremos de “bolsões” de inovação, para uma “cultura” de inovação? Todos nós que atuamos na área da Educação somos testemunhas de que em algumas Escolas existem salas de aula bem mais avançadas…certo? Durante anos, as Escolas colocaram perguntas ou problemas aos alunos, e muitas vezes em um modelo linear e pasteurizado de pensamento que obrigava-os a seguirem o passo-a-passo para encontrar as respostas. Esta mesma metodologia é muita usada nos cursos on-line escalonados, ou seja, aqueles que objetivam uma alta “escala” de matrículas.  Mas resolver um problema é apenas uma parte do aprendizado, e encontrar o problema é a parte essencial do aprendizado e isto tem que ser feito “um a um”. Atualmente, os sistemas educacionais do mundo todo estão desenvolvendo os seus alunos pela metodologia da aprendizagem baseada em problemas, e não estão nem um pouco interessados pela parte errada da aprendizagem. Explico…..

 

O modelo clássico de educação treina alunos a encontrar soluções de problemas que já foram resolvidos. Enquanto todos olham em como podemos ajudar os jovens a se tornarem melhores solucionadores de problemas, não estamos pensando em como poderíamos criar uma geração de localizadores de problemas. Concorda? Muitos professores têm trabalhado com alunos que não parecem dominar uma nova habilidade, apesar de inúmeras tentativas e de vários métodos de ensino. Quando as abordagens que você educador usou com outros alunos não funcionam, você desiste do estudante em dificuldades? Não! Espero que não. Minha esperança é que você verá o desafio como uma oportunidade de atuar com o que  sabe, descobrir o que você precisa saber e tentar repensar sobre uma nova maneira de ensinar aquela habilidade, e como tudo isso funciona para esse aluno específico. Educação no seu melhor sentido, ajuda pessoas a descobrirem, refinarem e desenvolverem seus dons, talentos, paixões e habilidades; de maneira que aprendam como podem beneficiar a si mesmos e os outros dentro do contexto da vida em sociedade.

 

Ensino e aprendizagem inovadores sempre  envolvem riscos e custos `as Escolas. Se quisermos criar novas oportunidades para os alunos, nem sempre devemos trabalhar de maneira semelhante com todos os alunos. Se somos honestos, vamos admitir que este sempre foi um grande problema em sala de aula. Muitas das nossas “melhores práticas” não servem a um grande número de nossos alunos. Então, por que correríamos riscos na sala de aula, especialmente quando isso pode afetar o futuro de nossos alunos?

 

Adentrar e estar presente no mundo do trabalho é uma parte importante da vida; e a Educação formal e informal (e não apenas a escolaridade) é uma parte essencial que faz parte da preparação das pessoas para obterem conhecimentos e trabalharem com excelência. O trabalho pode e deve ser gratificante. Por outro lado, as vezes vemos um anúncio de emprego que solicita ao interessado um diploma específico de bacharel como um requisito essencial para a aplicação, mas se avaliarmos os conhecimentos e habilidades necessários para esse trabalho, veremos que existem provavelmente muitas pessoas sem diploma de bacharel e que poderiam prosperar nesta atuação profissional. Nesses casos, somos testemunhas que existem comunidades fechadas no mundo do trabalho que limitam o acesso e a oportunidade para pessoas qualificadas, trabalhadoras e sem necessariamente serem diplomadas.

 

A tendência no mundo todo atualmente é cada vez menos se valorizar os diplomas e certificados, mas sim tudo o que você construiu com o seu conhecimento,  ou seja: seu portfolio. Um diploma comprova sua inteligência, um portfolio sua imaginação. Sempre o melhor aluno avaliado em uma sala de aula  é aquele que melhor replica conceitos ou ideias,  e não necessariamente inventa uma maneira de resolver o problema em questão.  Na escola convencional ou nos inúmeros cursos online disponíveis em muitas universidades, verificamos nos alunos a capacidade de lembrar uma informação que está, e estará sempre, a um clique do Google para o resto da vida deles. As escolas deveriam incentivar os alunos a construir seus próprios portfolios, e não simplesmente prepará-los para passar nos exames. Os cursos on-line poderiam ser fonte de inovações acadêmicas.

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O Que é INOVAÇÃO na Educação?

Comentário em “Como Criar Cultura de Inovação na Educação Online?

  1. Excelente texto! Reflete a realidade com que nos deparamos em sala de aula, ao termos que atender perfis diferenciados. Cada um trás uma competência. Como aprimorá-las e/ou valorizá-las (quando pertinente), no atual mundo de tantas inovações tecnológicas? É um ótimo desafio!

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