EAD no Brasil…Nem Tudo é Prego!

Com um território de dimensões continentais, o Brasil, de um modo geral, apresenta problemas críticos de infraestrutura em vários sistemas, com destaque às áreas da educação e transportes. Na área dos transportes, seja o sistema rodoviário, aéreo ou marítimo, o que limita a sua evolução não se restringe apenas à grande extensão territorial do país, mas também às questões sociais, econômicas, ambientais, culturais e políticas. Já na área da educação, apesar do índice de analfabetismo ter reduzido significativamente no Brasil, os desafios ainda são muitos como a falta de vagas, falta de merendas, falta de segurança, falta de professores, baixos salários dos educadores, dentre outras questões que  também são de cunho social, político e econômico e que impactariam diretamente no desenvolvimento de qualquer país.

Por outro lado, grande parte dos brasileiros se mostraram ávidos por inovações tecnológicas e pelas novas mídias apresentando altos índices de adaptabilidade às novas tecnologias da informação e comunicação – TIC – a massiva presença dos brasileiros nas redes sociais da internet já se tornou notícia internacional.

Com quase três bilhões de usuários, a internet é, atualmente, o principal meio de comunicação em todo o mundo. Segundo IBGE, o Brasil possui atualmente mais de 201 milhões de habitantes e de acordo com o IBOPE, 105 milhões destes brasileiros possuem acesso à internet.

A revista Estadunidense Forbes revelou pesquisa publicada em site da internet em 09/12/2013 através da reportagem intitulada: “The Future Of Social Media? Forget About The U.S., Look To Brazil” –  “O futuro das mídias sociais? Esqueça os EUA, olhe para o Brasil.”

A pesquisa destaca que o Brasil possui atualmente cerca de 65 milhões de usuários no Facebook  e 41,2 milhões no Twitter. Estudos sobre o uso de mídias sociais na América Latina feitos pelos centros de pesquisas do Ipsos ITOX e Ipsos Global @dvisor revelaram que o Brasil supera nos números comparativos com México e Argentina, por exemplo.

Com a criação da conexão sem fio –  Wifi – e com a ampliação da internet móvel, o uso de celulares ganhou popularidade, principalmente nos modelos smarthphones e tablets que além de portarem processadores robustos, congregam diversos aplicativos e funcionalidades.

O cenário é ironicamente antagônico: por um lado temos as precariedades na educação e nos transportes com métricas que se aproximam às características de subdesenvolvimento, por outro lado temos a singular habilidade e o anseio popular para o aprendizado e utilização de tecnologias de comunicação emergentes.

Apesar desse contraponto surge aqui um terreno “fértil” à implementação de projetos de educação na modalidade a distância (EaD).

Já em muitas décadas atrás os cursos a distância já existiam através de correspondência, onde o correio era o principal instrumento de mediação entre a escola e o estudante. Mesmo após caírem em desuso com a utilização da internet, os cursos por correspondência já tiveram seus dias de glória. De acordo com a vice-presidente do Instituto Monitor, Elaine Guarisi, em meados de 1985 os registros de matrículas atingiram 10 mil por mês em cursos livres. As reservas de vagas neste instituto especializado em EAD eram feitas via cupons de revistas, e o número de cartas era a métrica do sucesso.

Entre os pioneiros na oferta de cursos por correspondência no Brasil o Instituto Monitor, fundado em 1939, e o Instituto Universal Brasileiro fundado em 1941, destacam-se por atuar com seu formato até hoje apesar das novas tecnologias de informação.

Na contemporaneidade, de forma geral, a Educação a Distância ainda caracteriza-se pela separação física (espaço-temporal) entre educando e educador, bem como, pela intensa utilização de Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) para que ocorra uma mediação mais efetiva entre o estudante e o educador com o objetivo de suprir as necessidades da relação ensino-aprendizagem de maneira remota.

Afinal, esta modalidade educacional propõe ampliar acessos, “encurtar distâncias”, uma vez que nem o estudante nem o educador precisam estar no mesmo espaço físico para que o processo de aprendizado ocorra. Contudo, por conta disso sua mediação requer a utilização de tecnologias da comunicação sim, mas de um modo planejado e estruturado por profissionais da área e a partir de um desenho pedagógico que atenda aos objetivos de aprendizagem propostos para cada curso.

Nos anos 50 já dispúnhamos da famosa expressão “o meio é a mensagem”, criada pelo sociólogo canadense Marshall McLuhan, que acreditava e defendia que os meios de comunicação eram extensões do homem ajudando-os a acessar o inalcançável de antes.

Muitas instituições pensam ser possível fazer EAD sem o planejamento adequado, sem os profissionais adequados, sem a tutoria adequada, etc. Tais empresas creem que, apenas pelo fato de dispor de recursos das novas tecnologias da comunicação é o suficiente para oferecer uma educação a distância de qualidade. Mesmo que muitas vezes não fazem a menor ideia do que cada meio representa e quais instrumentos são os mais adequados para o processo de aprendizagem proposto.

Cabe aqui a velha expressão: “para quem só tem martelo, tudo é prego!”

Se for para ser assim, melhor voltar aos correios.

http://www.univel.br/ead/nead.php

 

Prof. Me. Valter Monteiro
Gerente de projetos educacionais e responsável pela implantação e implementação da modalidade EAD na Instituição de Ensino Superior UNIVEL do Paraná.
Gestor do NEAD da Univel no Paraná