Cursos Online “Com” ou “Sem” Empatia?

Cursos Online “Com” ou “Sem” Empatia?

A empatia pode ser ensinada? Pode ser aprendida? O que exatamente acontece quando somos empáticos? As relações humanas que acontecem no meio educacional são produtivas e estimulantes quando existe a empatia construindo vínculos, e isto consequentemente torna-se o maior patrimônio de uma sala de aula,  seja lá na modalidade presencial ou  EAD. É através deste recurso subjetivo que os alunos exercitam a compreensão de uns para com os outros,  e que os levam a experiências gratificantes construídas pelos laços sólidos e baseados na confiança.

 

Quando o aluno inicia um curso online de EAD ou até  mesmo um curso presencial, este será o momento que ocorrerá os primeiros investimentos afetivos por parte do professor que buscará uma relação interativa saudável. Sempre é recomendável que algumas perguntas poderosas sejam feitas aos alunos neste início,  como forma de despertar a empatia. Por exemplo: Qual é a coisa mais importante que eu deveria saber sobre você ? Quais são as suas paixões? Quem você admira?

 

Questionamentos desta natureza traz dos alunos conteúdos subjetivos importantes e que dão espaço ao professor para que se promova a empatia entre todos na sala de aula virtual ou presencial. Sem o exercício da empatia por parte do professor, não acontece uma imersão afetiva e cognitiva que resulte em compreensão entre os diversos alunos e das comunidades em que atua. Essa falta de compreensão pode limitar muito o foco de ação docente do professor e fazê-lo atuar apenas dentro de generalizações e premissas pré-estabelecidas das relações humanas mais distanciadas.

 

Certamente os professores presenciais e tutores de EAD  não podem ensinar a empatia e a generosidade em sua gênese, da mesma forma que ensinam a resolução de um problema de matemática;  mas podem ajudar a aumentar a consciência desses valores e afirma -los sempre que possível e dentro do contexto público. Por outro lado, alguns educadores interessados em estudar a empatia, têm tradicionalmente focado este tema sob o viés de ser um  “sentimento positivo do professor em relação aos alunos”, sempre gerando o entendimento que a função  do professor é análoga a de um conselheiro ou de um terapeuta,  e que o papel do estudante por sua vez é análogo ao de um cliente que apenas “recebe”.

 

Qualquer professor não tem que ser atraente para ser um grande professor, pelo menos não no sentido carismático e encantador que a palavra sugere no contexto que discuto. Você professor pode até ser relativamente “chato ” e ao mesmo tempo levar os seus alunos a um expressivo e notável progresso acadêmico justamente por ser um professor empático e não necessariamente simpático. O termo empatia geralmente é utilizado para descrever uma ampla gama de experiências emocionais e cognitivas e que se definem de maneiras singulares,  mas a definição mais comum e corriqueira é que é a capacidade subjetiva  de poder sentir as emoções de outras pessoas,  juntamente com a competência de poder imaginar o que elas podem estar pensando ou sentindo.

 

Muita gente confunde empatia com simpatia,  o que é um erro conceitual imenso pois há um abismo entre o sentimento e a emoção.  Tanto a empatia como a simpatia são conteúdos do nosso mundo intrapsíquico e que sentimos em relação às outras pessoas, mas a simpatia é uma emoção que nos remete ao “‘sentir-se com'” que seria próximo à comiseração. A empatia pelo contrário, é um sentimento de “sentir-se em”, ou seja,  é a nossa capacidade de nos projetarmos subjetivamente para o mundo interno da outra pessoa,  e assim  compreendermos melhor e com solidariedade o que se passa lá dentro.

 

A mentalidade docente quando atua sem empatia, impede que se identifique com precisão as barreiras que os alunos enfrentam em relação à aprendizagem e ao convívio social mesmo que seja no ambiente online, e daí o mais comum é que estes mesmos alunos sejam percebidos pelos seus professores apenas como produtores acadêmicos em vez de seres sociais e emocionais em desenvolvimento . A empatia expressa pelo professor ou a comunicação empática dos tutores de EAD, é o que permitirá que os alunos experimentem uma maior compreensão de si e dos outros no contexto social,  e que consequentemente leva a uma experiência subjetiva de “aceitação”, resultando em atitudes mais positivas em relação a si mesmos e em relação aos colegas.

 

Todo o conhecimento resultante  do conteúdo que é estudado e as habilidades mais concretas expressas nos ambientes virtuais de aprendizagem,  geralmente podem ser avaliadas pelos professores com rubricas e notas , mas a empatia não se mede e não se avalia por métricas. Na verdade a empatia desempenha um papel central no processo da existência de toda pessoa, podendo daí  até mesmo moldar os resultados educacionais quando exercida saudavelmente nas Escolas que trabalham com as duas modalidades de ensino: presencial e à distância.

 

Tem sido sugerido por alguns especialistas a ideia de que a sociedade industrializada ocidental moderna não é nada propícia à promoção do desenvolvimento da empatia nas crianças. Alguns estudos na área da Psicologia relatam que a crueldade para com os animais na infância está relacionada à violência interpessoal que será expressa na idade adulta. Por outro lado alguns estudos demonstram também que as crianças a partir dos 18 meses já expressam compaixão, empatia e altruísmo, que são características que fazem parte de como todos nós somos, mas que ao mesmo tempo são habilidades sociais  que devem ser cultivadas diuturnamente desde cedo na vida humana. Em outras palavras, a empatia é expressa naturalmente na infância mas deve ser estimulada pelos cuidadores ao longo da construção da personalidade da criança,  para daí ser realmente fortalecida para ser expressa na adultidade espontaneamente.

 

A empatia explica a experiência internalizada que ocorre naturalmente com os nossos sentimentos mais nobres e fraternos em relação aos outros, mas sem perder de vista quais sentimentos são nossos e quais são os da outra pessoa, ou seja, sermos conscientes de quais sentimentos pertencem a cada qual.  A empatia é baseada na compaixão enquanto que a simpatia é baseada na análise. A empatia pode nos tornar seres humanos melhores, enquanto a simpatia pode nos tornar seres humanos atraentes.

 

Existem alguns estudiosos que diferenciam dois tipos de empatia:

  • Empatia Afetiva: Se relaciona com as nossas sensações e sentimentos que emitimos como respostas frente às emoções que recebemos dos outros. Esta ideia sugere o espelhamento que nos possibilita uma  percepção do que a pessoa está sentindo e consequentemente o que isto nos faz sentir, como por exemplo ficarmos estressados (emoção) quando detectamos medo ou ansiedade no outro (emoção).
  • Empatia Cognitiva: Seria a nossa capacidade de identificar e compreender as emoções de outras pessoas apenas pelo nosso feeling. Estudos sugerem que as pessoas com transtornos do espectro do autismo têm dificuldade em sentir empatia.

 

Voltemos ao ponto “X”, será que deveríamos ter uma disciplina nos currículos escolares de EAD e presencial  intitulada “Como Desenvolver a Empatia?”

 

Para iniciar um processo de desenvolvimento deste tipo de aprendizagem com os nossos alunos, deveríamos compreender que é uma atividade que pressupõe levá-los a um mergulho no mundo dos sentimentos e para tal deveríamos iniciar o processo com  perguntas do tipo: Quem é o “outro” para você? Outros quem? Como nos relacionamos com todos os “outros”? O que queremos compartilhar com eles?  O que eles precisam de mim, e eu deles?

 

Pois bem, você quer ensinar empatia de verdade? Então definitivamente ajude os seus alunos a pensarem e a se perguntarem o seguinte: “Como somos o mesmo?”  e não necessariamente,  “Como eu sou original?” Compreendeu a diferença?

 

Você quer um exemplo de salas de aula online ou presenciais que atuam com total falta de empatia? Pois bem, então reflita e entenda as situações de bullyng!! Sim, o bullying é um problema mundial,  que se expressa por agressão física ou moral  de maneira repetitiva e que deixa sequelas psicológicas na pessoa atingida. É uma prática que tem o poder de destruir a autoestima do estudante que o sofre, pois o mesmo precisa permanecer no ambiente escolar e enfrentar todos os dias as humilhações diante de todos os colegas. Nos ambientes online o bullyng ocorre com aquelas piadinhas perversas nas timelines dos Fóruns de Discussão ou dos Chats….

 

Muitas destas humilhações são factuais ou subliminares. Geralmente nas Escolas presenciais, a maioria dos atos de bullying ocorre fora da visão dos professores e grande parte dos estudantes não reage ou não comunica a respeito da agressão sofrida. Geralmente são escolhidos aqueles alunos mais frágeis emocionalmente que sentem-se impotentes frente às agressões.

 

Este tipo de assédio também ocorre na relação professor-aluno tanto na EAD como no sistema presencial, no qual muitas vezes o professor ou o tutor intimida o aluno  rebaixando-o perante a classe  para danificar a sua autoestima. Muitas vezes é a fórmula encontrada para também manipular a classe contra um único aluno expondo-o  a humilhação. Alguns professores perseguem os alunos gerando notas baixas pela alta exigência nas provas ou nas atividades online e daí utilizam recorrentemente a ameaça da reprovação.

Saiba +

Existe Afetividade na EAD

Sobre Bullyng   >>>>

http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2016/08/casos-de-bullying-nas-escolas-cresce-no-brasil-diz-pesquisa-do-ibge.html

 

 

Comentário em “Cursos Online “Com” ou “Sem” Empatia?

  1. Para se destacar no mercado é importante acrescentar sempre mais conhecimento e para isso nada melhor do que fazer um curso online técnico da área!

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