Millennials e o Narcisismo nas Redes Sociais

Millennials e o Narcisismo nas Redes Sociais

Diariamente mais de 80 milhões de fotografias são carregadas para o Instagram, assim como são dados 3,5 bilhões de ‘likes’ nas postagens diversas e que acabam estimulando 1,4 bilhão de pessoas a publicarem as suas vidas em detalhes no Facebook. Este número estrondoso corresponde a algo em torno de 20% da população mundial. O que passou a ser mandatório no mundo atual,  é como as outras pessoas vêem você e desta maneira este objetivo passou a cumprir um papel fundamental na psiquê de significativa parte da humanidade, ou seja, hoje é lição de casa diária quase todo mundo entrar na rede social para criar uma impressão positiva de “si mesmo” ao mundo.

Esta demanda tornou-se tão obrigatória, que as próprias empresas utilizam o Facebook para investigar a vida de seus pretensos funcionários,  para justamente encontrarem as informações que possam ou não contribuir na hora da contratação. Estamos sendo treinados mesmo que inconscientemente a publicarmos coisas apenas maravilhosas a nosso respeito, pois assim o mundo solicita. 🙄

Os jovens Millennials são particularmente vulneráveis ​​aos efeitos das mídias sociais. Este grupo de jovens, especialmente aqueles entre a faixa de 17 a 21 anos, naturalmente passam por um estágio narcisista em suas vidas, o que a própria Psicologia explica minuciosamente, pois este é um processo subjetivo absolutamente necessário à medida que eles procuram encontrar o seu lugar na sociedade para justamente se afastar saudavelmente de seus cuidadores. Infelizmente, muitos pesquisadores afirmam que as experiências nessa  fase do desenvolvimento humano, podem ser amplificadas de maneira não saudável pelo uso narcisista das mídias sociais. Vale lembrar que esta faixa etária é fortemente influenciada pelos seus pares.

Ok!  Não podemos nos esquecer que todos nós somos adeptos das redes sociais e das selfies que são publicadas, mesmo porque se não tiramos fotos deste tipo, provavelmente já posamos para selfies com os nossos familiares, amigos, conhecidos e que foram parar no Facebook pelas mãos destas mesmas pessoas. A palavra “selfie” foi oficialmente introduzida na língua inglesa em 2013 através da adição no Oxford Dictionary. A obsessão que muitos adolescentes têm por selfies,  pela partilha de suas vidas e de seus rostos expostos pelas  mídias sociais,  levou alguns psicólogos a acreditarem que este grupo está crescendo na categoria conhecida como  “narcisistas”.

O Departamento de Psicologia da Universidade da Califórnia, publicou recentemente dados importantes sobre este tema,  justamente porque encontrou nas pesquisas realizadas com millennials algumas informações preocupantes,  como as correlações entre o uso excessivo do Facebook e de notas baixas, saúde precária e transtornos de personalidade anti-social, incluindo o narcisismo. Indivíduos narcisistas são caracterizados por fantasias irreais de sucesso e senso de serem únicos, demonstram uma hipersensibilidade à avaliação de outros, sentem sentimentos de autoridade e esperam sempre tratamento especial e diferenciado. Frequentemente apresentam ar de superioridade, projetam exagero em suas capacidades e talentos,  carecem de necessidade de atenção, se relacionam de maneira arrogante e possuem fortes comportamentos autorreferentes.

Narcisismo ou transtorno de personalidade narcisista, definitivamente é um transtorno mental em que as pessoas têm um sentimento inflado de sua própria importância, uma profunda necessidade de admiração e uma enorme falta de empatia para com os outros. Como pontuamos anteriormente, os jovens naturalmente passam por um período “narcisista” em suas vidas para estabelecer a própria identidade e romper com os seus cuidadores, mas os estudos recentes com jovens adolescentes também conhecidos como geração millennials,  mostraram uma forte correlação entre o uso intenso do Facebook e Instagram com alguns dos traços negativos associados ao narcisismo, sugerindo que  sites de mídia social estão promovendo a adoção e o despertamento de comportamentos narcisistas.

Comportamentos exacerbados para atrair seguidores nas redes sociais, contar aos seguidores sobre a sua vida particular ou pública,  assim como ter uma enorme necessidade de projetar uma imagem positiva em todos os momentos do dia, têm sido descritos pelos pesquisadores como exemplos de exibição de fortes traços de personalidade narcisista expressos através das mídias sociais. Estes pesquisadores afirmam que o número altíssimo de amigos no Facebook que uma pessoa tem ou almeja ter,  e a prevalência de traços socialmente disruptivos, são  comumente associados ao narcisismo.

Nos EUA os diagnósticos de transtorno de personalidade narcisista aumentaram consideravelmente nos últimos 10 anos e a taxa deste aumento é comparável ao aumento da taxa de obesidade naquele país. Os comportamentos narcisistas são inerentes à nossa sociedade,  e as mídias sociais só os tornam mais visíveis para todos nós. Na verdade a mídia social não é a causa deste tipo de transtorno, mas é uma expressão livre dele e  socialmente aceita na sociedade contemporânea. Se você é um narcisista, você está procurando um reflexo positivo de si mesmo, e o mundo é o seu espelho e você está constantemente procurando este tipo de afirmação. Vale não confundir dois conceitos importantíssimos: narcisismo  (patológico) com auto-estima alta (atributo positivo da personalidade).

As publicações de citações onde a própria pessoa se elogia estão altamente associadas aos aspectos comportamentais do narcisismo. Outros comportamentos da mídia social que engrossam esta realidade são as postagens de fotos de celebridades parecidas com o “narciso”, assim como o cultivo de um enorme número de “amigos” no Facebook e a consequente exibição seletiva de apenas atributos positivos de sua própria vida. E tudo isto acontecendo o tempo todo ( tempo online) e de maneira ininterrupta! Apesar da falta de evidência conclusiva sobre um nexo causal, é claro que o uso intenso do Facebook e de outras plataformas de mídia social estão chamando a atenção pelos  comportamentos  abusivos e públicos de pessoas de todas as idades.

Embora os efeitos negativos estejam na vanguarda da conversa de muitos especialistas nos últimos anos, devemos refletir que existem importantes habilidades psicológicas e sociais que podem ser desenvolvidas saudavelmente pelo uso do Facebook e de outros sites que geram e estimulam a socialização e até mesmo a exposição das pessoas. Os usuários ativos mas com algumas dificuldades sociais podem justamente usar as mídias para melhorar a auto-estima baixa, desenvolver uma maior sensação de bem-estar junto aos pares pelo caminho virtual, melhorar a depressão e a sensação de isolamento e também podem se ligar aos grupos homônimos e sem qualquer julgamento negativo. Com isso em mente, é evidente que os efeitos positivos das mídias sociais se correlacionam fortemente com a percepção de um indivíduo saudável no coletivo.

Curiosamente na contra-mão destas pesquisas que comentamos, alguns estudiosos da Universidade da Carolina do Norte argumentam que esses comportamentos tidos como exacerbados não são tão narcisistas como se pensava anteriormente,  mas são provavelmente uma “nova norma” social. É argumentado que o uso do Facebook é onipresente entre os adolescentes e que foi desenvolvido especificamente para ajudá-los no compartilhamento de conteúdos com os seus círculos sociais. Desta maneira os comportamentos compreendidos como narcisistas podem ser apenas associados a uma nova forma de comunicação multilateral desta nova geração de millennials. Na verdade, se sugere que não devemos definir os adolescentes como universalmente narcisistas, mas sim, devemos redefinir o conceito de narcisismo e dos traços narcisistas para que somente daí seja incluído o uso e abuso das mídias sociais como contexto de análise.

Independente das pesquisas,  os pais de adolescentes que estabelecem regras e limites saudáveis,  têm filhos com mais auto-estima e com menos depressão. É imprescindível que os pais se tornem participantes ativos na vida de seus filhos ouvindo-os para manterem-se atualizados sobre as últimas tecnologias, aplicativos e tendências sociais-virtuais. Além disso, monitorar os comportamentos de navegação online de um filho adolescente e as suas interações com as mídias sociais,  podem ajudar os pais a determinarem quais são as influências mais significativas na vida deles e promover o diálogo aberto bidirecional tão necessário. Os pais devem trabalhar ativamente com seus filhos para criar um equilíbrio entre a vida online e a realidade da vida presencial, para assim promoverem  e disseminarem o comportamento social enriquecido por trocas significativas, novas aprendizagens, afetividade e desenvolvimento pessoal.

 

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