Plágio, A Nova Epidemia nos Cursos Online?

Plágio, A Nova Epidemia nos Cursos Online?

Nunca vimos tantas notícias na mídia sobre personalidades bem conhecidas que andam fazendo plágios em seus discursos públicos, músicas, textos, produções audio-visuais e trabalhos acadêmicos. Recentemente assistimos a mulher de Donald Trump discursar a favor de seu marido, candidato a Presidência dos EUA, utilizando parte de um discurso de Michelle Obama de anos atrás. O ministro alemão da Defesa, Karl-Theodor zu Guttenberg,  importante figura do governo da chanceler Angela Merkel, em 2011 apresentou pedido de demissão depois de ter sido acusado de plágio na sua tese de doutorado. Assim como estes, existem centenas de outros casos muito parecidos e disponíveis na web para você checar. O que está acontecendo com as pessoas? Tenho conversado também com muitos profissionais da EAD,  que sempre estão reclamando de que os alunos estão fazendo plágios como se fosse um novo estilo de vida acadêmica….

 

A apropriação de ideias, frases, parágrafos ou textos completos ou incompletos e sem a devida citação e creditação das fontes,  se caracteriza no cenário educacional ou autoral de qualquer outro contexto, como plágio. O plágio significa também você copiar, assinar e reproduzir uma obra de outra pessoa em partes ou totalmente, afirmando que a autoria é sua. Para deixar mais claro, repito: É um tipo de ação que ocorre quando alguém copia o trabalho de outra pessoa e não coloca os créditos para o autor original. Saiba que é crime de violação de direito autoral previsto no Código Penal Brasileiro na Lei 9610. O plágio pode ser de qualquer natureza como cópia de fotografias, trabalhos acadêmicos, textos, obras, músicas, livros, imagens. O plágio pode ser prevenido atualmente no mercado educacional,  pois já existem vários tipos de detectores automáticos que denunciam as cópias. Ao mesmo tempo em que a internet facilita e simplifica o plágio e as consequentes fraudes, ela também oferece meios excelentes que os detecta. Muita gente vem respondendo seriamente na justiça por este tipo de ação antiética. E o que será ao pé da letra o oposto de “plágio” ou de “plagiar”?

 

Certamente a resposta para tal questão é conhecermos a fundo a ideia sobre “autoria”. Se a autoria é o resultado que toda Escola ética deseja em relação a produção de seus alunos, a pergunta que devemos fazer então é:  quais são as características comportamentais ou psicológicas necessárias para que os alunos conseguiam isso?”  Para qualificar-se verdadeiramente como autor de seus trabalhos e produções escritas e visuais, o aluno deve compreender profundamente e em primeiro lugar qual é o papel de um autor, para assim conseguir se identificar com o exercício deste papel na Escola em que estuda, e posteriormente na vida pública e no mundo do trabalho.

 

A reflexão deve ser o ponto de partida a ser trabalhado com os estudantes e sempre alinhada aos mais variados projetos que acolham os diferentes pares. Este é um tipo de ação que se carece realizar nas Escolas e que muito pode ajudar os estudantes a não plagiarem. É necessário que se faça uma intervenção específica através de Oficinas de Sensibilização, para que os alunos compreendam o conceito de autoria, e que se identifiquem com o papel de autor, como também se qualifiquem totalmente como autores de seus próprios trabalhos. Oficinas motivacionais ou de reciclagem de atitudes, que objetivem incentivar e inspirar os alunos a se verem mais como autores do que copiadores, podem levá-los a perceber as suas produções como trabalhos que realmente merecem autoria e não apenas uma cópia.

 

Outro tipo de Oficina que se pode desenvolver é a da escrita acadêmica para aqueles alunos que estão em transição para o ensino superior, pois estes pré-universitários, muitas vezes têm expectativas imprecisas sobre o que é necessário no ensino superior, porque muitas vezes não compreendem muito bem como funciona a universidade e como se utiliza em um trabalho a aplicação de um argumento, de uma avaliação e análise, enquanto ao mesmo tempo, superestimam a sua capacidade de executar essas habilidades complexas.

 

Realizar Oficinas com os alunos antes deles começarem a universidade pode ajudá-los a corrigir alguns equívocos sobre como deve-se escrever no ensino superior e quais são as atitudes éticas aplicáveis; por isso é possível que iniciativas que amadureçam a identidade autoral pré-universitária, ajudem potencialmente os alunos a ajustarem-se rapidamente na maneira de aprender a escrever e como seguir um padrão de ética para quem vai produzir ideias. Sempre é muito positivo apresentar aos estudantes os bons exemplos, tanto as referências da vida acadêmica como de fora desta, justamente porque existem algumas figuras públicas que infelizmente já tiveram sérios problemas por causa de plágio. Isso quando exposto aos estudantes,  pode colocar a questão da autoria e do plágio em um contexto mais amplo, justamente porque estas questões não estão confinadas apenas ao mundo dos universitários, mas também no universo dos mais experientes escritores, músicos, políticos, ou seja, nos mais diferentes contextos..

 

Existem milhares de exemplos a respeito de plágios que correram o mundo inteiro e que chocaram muita gente,  como o caso de Saif Gaddafi, filho do ex-ditador líbio, que foi acusado de plagiar sua tese de doutorado em uma universidade do Reino Unido;  ou o senador norte-americano Paul Rand, que fez um discurso em 2013 em uma universidade nos Estados Unidos e logo foi acusado de copiar parte da Wikipédia. O plágio hoje em dia vem sendo exercido mais do que possamos acreditar, pois através de um simples “cortar e colar” no computador, rapidamente e de maneira muito simples muita gente consegue fazer o que quiser.

 

Especialmente na educação a distância existem muitos programas tecnológicos que podem ajudar o tutor a encontrar os plágios nos trabalhos de seus alunos online. Esses softwares podem ser gratuitos ou pagos, ou até mesmo pode-se realizar uma pesquisa no Google, que acaba sendo uma forma muito simples de encontrar um trabalho plagiado, pois pode-se incluir no campo de pesquisa do Google,  uma parte daquilo que achou e assim verificar a fonte.

 

Em uma interessante pesquisa no Reino Unido com estudantes de instituições de ensino superior foram identificados 9720 casos oficialmente registrados como plágio em um ano letivo, o que resultou 2300 advertências formais, mais 2330 notificações para que os alunos refizessem os trabalhos plagiados e finalmente 47 expulsões de estudantes plagiadores. Um estudo britânico revelou que 46 por cento dos estudantes relataram que já tinham plagiado pelo menos um parágrafo inteiro em seus trabalhos. Desta maneira as universidades precisam de estratégias ativas para que os alunos possam ser ajudados a não se apoiarem em plágios, e serem ensinados o quanto é coerente construir com fidedignidade uma genuína ’identidade autoral’. Este é um caminho que cada vez mais deve ser traçado para que realmente os alunos reciclem as suas atitudes no sentido de introjetarem valores de integridade e de transparência associados a escrita acadêmica ou qualquer outra produção intelectual/artística sem plagiar.

 

A identidade autoral fornece um foco muito positivo e satisfatório para o desenvolvimento do trabalho pedagógico,  no sentido de ajudar os estudantes a melhorarem as  suas produções e evitarem assim a sombra de outros autores como também aprenderem a respeitar a Lei. A aprendizagem da identidade autoral pode ser aplicada no desenvolvimento da produção escrita e visual de todo aluno e desde cedo, pois sempre envolve uma abordagem de conscientização muito mais psicológica do que pedagógica em relação a prevenção deste comportamento que deforma o caráter e não leva ninguém a nada. Lembre-se…não existe crime perfeito!

Saiba+

3 comentários em “Plágio, A Nova Epidemia nos Cursos Online?

  1. Fiz uma tese de doutorado sobre o assunto de Autoria no Ensino médio… a ideia é a de se trabalhar com autoria responsável… vai ao encontro das ideias do texto! Muito bom.

  2. Creio que o plágio tem aumentado devido à competitividade acadêmica existente em nossos dias. Há muita pressão exercida sobre o pesquisador e a instituição para se publicar artigos e outros trabalhos acadêmicos para mantê-la em uma posição relevante no cenário mundial, refletindo até em perdas de privilégios do pesquisador caso ele não publique trabalhos com certa frequência, em alguns casos. Se houvesse uma mudança na forma como a pós graduação acadêmica é encarada e estruturada, o plágio diminuiria sensivelmente. Ambiente competitivo nunca foi e nunca será saudável.

  3. Algumas universidades, mesmo depois de acionadas sobre casos de plágio, acabam não realizando, sequer, uma advertência aos alunos envolvidos.
    Foi o que ocorreu com um colega, professor universitário, que estava orientando um Trabalho de Conclusão, e nessa orientação constatou que o trabalho não era, em sua totalidade, do aluno. Imediatamente ele pediu que o aluno refizesse o trabalho, e informou a universidade sobre o ocorrido. Mas o aluno não realizou as devidas correções, e meu colega disse que não poderia continuar com a orientação. Por fim, a universidade aceitou que um outro professor orientasse, mesmo sem o aluno ter feito as devidas correções de autoria, e este colega foi demitido.

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